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BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Música, Cinema, Poesia. ICQ-175346159
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moacircaetano


Pequenas glórias


Pequenas vitórias.
Fugazes glórias do dia-a-dia.
Momentos que não definem uma vida
mas por alguns momentos
a tornam menos vazia.

O sorriso da moça do caixa.
A baixa taxa de colesterol.
Um carro que pára na faixa.
Por entre as nuvens escuras,
um raio súbito de sol.

A fila, mais rápida que as filas dos lados.
Olhares que se cruzam, pequenos pecados.
A música preferida
justamente na troca de estação.
Solzinho de inverno e chuva de verão.

Um gol de bicicleta.
Um buquê de rosas, namorado.
O lugar certo na hora certa.
Biscoitos amanteigados, coberta
e leite quente achocolatado.

Um straight-flush na mão.
Um coringa pra fechar a canastra.
Um elogio do patrão.
Uma nota de cinquenta
lavada e passada no bolso da calça.

Ligação de amigo distante.
Mensagem de celular apaixonada.
A foto de quem se ama na estante.
O trabalho terminado
uma hora antes da data estipulada.

Efêmeras glórias.
Pedaços crocantes de fantasia...
Se não nos matam a fome,
ao menos
não nos deixam de barriga vazia.



 Escrito por moacircaetano às 19h55
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Bâr'dêi


Metade de setenta...
Até quando a vida se espicha?
Até quando a vida aguenta?...


 Escrito por moacircaetano às 00h16
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A Vez Primeira


Nas misteriosas paragens do desejo se perdeu.
O prazer surgiu, suspeito, crime perfeito.
Não pensou. Cometeu.

E Ele veio, impressentido.
Aquele que nunca havia acontecido.
Gozou, gozou, oh, Deus!



 Escrito por moacircaetano às 19h56
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Domingo


Hoje é domingo.
Pede cahimbo.
Cahimbo eu não gosto.
Então me encosto.
Sem fazer nada.
Preguiça danada.
Comer e dormir.
Sem produzir.
Roncar e peidar.
Sem me importar.

Hoje é domingo.
Pede cachimbo.
Cachimbo não seja.
Eu quero é cerveja.
Arroz com pequi.
Depois só dormir.
Mandioca e picanha.
Depois minha cama.

Hoje é domingo.
Pede cachimbo.
Cachimbo que nada.
Quero galinhada.
Canastra e cinema.
Não quero problema.
Gibi e preguiça.
Ah, que delícia.
Namoro e futebol.
Sombra e sol.

Hoje é domingo.
Pede cachimbo.
Cachimbo que nada.
Quero a sena acumulada.
Pra todo dia, sorrindo,
virar domingo.
E nunca mais existir
segunda nem terça
nem quarta nem quinta
nem sábado nem sexta.


 Escrito por moacircaetano às 10h34
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Crédito


Ele escorreu sua seiva
por todo o meu corpo.
Fez de tudo
e ainda achou pouco.

Me germinou as entranhas.
Mil e uma artimanhas.
E nem era preciso.
Já havia pago por isso.

Lambeu-me as folhas,
roubou-me os frutos,
adentrou-me cada orifício.
Eu, apaixonada.
sem poder ligar nem nada.
Ossos do ofício.






 Escrito por moacircaetano às 09h44
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Perigo


Cuidado!
Lá vem o amanhã.
Com seus dentes afiados,
seu sorriso meio de lado
e sua pele de lã.

Cuidado, muito cuidado.
Lá vem o futuro.
Escalando montanhas, pulando muros,
espreitando nossas jugulares.
Espalhando petróleo pelos mares.

Cuidao, eu já disse...
Lá vem o que há de vir.
Com doses maciças de Lexotan,
Vicodin e Saquinavir.

Muito cuidado, aí vamos nós.
Com nossas garras desgastadas,
nossas ovelhas desgarradas
e sem saber se estamos sós...
http://moacircaetanotodoprosa.blogspot.com
http://microcosmomicrocontos.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com
http://flickr.com/photos/caetanomoacir



 Escrito por moacircaetano às 15h17
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Alineversário


Enquanto não encontro Aline
invento Aline
ilustro Aline em cores diversas
crio milhares de conversas
desenho Aline com mil lápis de cores
perfumo Aline com orvalho e flores
e com giz e carvão e carinho
rabisco um novo caminho
que vai de mim até ela

Aline aquarela

Enquanto não abraço Aline
busco de Aline a presença
nos corredores da imaginação
nas folhas caídas no chão
na primavera de nossa amizade
no verão da minha vontade
de beijar Aline de jeito
na esquina do pretérito perfeito

Aline espreito

Enquanto não posso Aline
imagino Aline
e eu e Aline
e eu e Aline e balões coloridos
e eu cantando parabéns pra Aline
nessa data querida
no dia da esquina de seus anos de vida
e marco no meu calendário

Alineversário


 Escrito por moacircaetano às 20h52
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Vício


Eu me mato aos poucos.
Saboreio
cada gota, cada gole,
cada tragada,
cada porrada
que parte minha vida ao meio.

Eu me mato devagar.
Não há pressa.
Cada dia
é anestesia
pra dor que me atravessa.

Eu me mato de forma lenta
e contínua.
E nem preciso me esforçar...
A vida é tão pequenina!

Eu me mato
e não há nada a fazer.
Não há mais espaço em mim
pra tanto ser!


 Escrito por moacircaetano às 08h35
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CONVITE (Passeio Completo)


Vamos?
para lugares tranquilos...
onde cantem os galos
e cri-criem os grilos?

Vamos?
pra lugares distantes?
Onde um dia estivemos
mas nunca fomos antes?

Vamos?
Ser um do outro, só por um dia?
Mesmo que nasça o amanhã
e tudo pareça fantasia?

Vamos?
mas tem que ser hoje,
tem que ser à noitinha...
você vestida de estrelas,
eu de raios de lua,
eu só seu, você só minha...


 Escrito por moacircaetano às 17h47
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Motivo


Amar é quase uma coincidência.
Um encontro improvável.
Amor é coisa meio sem jeito.
Pra não dizer impossível.

No entanto amamos.

E continuamos amando,
ainda que saibamos
o quão complicado pode ser.

E escrevemos livros
e rodamos filmes
e fazemos músicas
e programas de tevê.

E seguimos amando.

E choramos, sofremos, morremos,
fazemos chorar, fazemos sofrer, fazemos morrer
e ainda assim amamos.

E a mais óbvia constatação
depois de tanto senão
seria uma só:
Amor é pó.
E ao pó retorna.
Não seria melhor fechar a porta?

E apesar de tantas informações
ignoramos nosso instinto de sobrevivência
e amamos, amamos, amamos,
além do limite do real.

Por esse simples motivo:
sem amor, a vida é sem sal.


 Escrito por moacircaetano às 11h55
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Declaração


Dizem que o sofrimento
purifica a alma.
Fodam-se, seus jumentos!
O que eu quero é calma!

Dizem que a dor, meu amigo,
enobrece o espírito.
Vão todos pro inferno.
Quero apenas o que é lírico.

Gostam de dizer que o trabalho
enobrece o homem, vejam só.
Grande merda! O que eu quero
é ócio, cerveja, praia e sol.

Um certo amigo me dizia
que é só com sacrifício
que as coisas valem a pena...
Ah, estúpido amigo,
tudo que eu queria
era ganhar na Mega-Sena.

Quem trabalha demais, pode notar,
fica meio metido a besta.
Eu? Hahahahahahahahaha!!!!
Eu só quero sombra e água fresca.



 Escrito por moacircaetano às 10h02
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Sem segredo


É só poeira
e dispersão.
Nada demais.
Um pouco de amor.
Talvez paixão.
E nada de paz.

É só a vida
em progressão.
Intermitente.
É só um dia
após o outro.
É só a gente.

E não tem muito segredo a vida.
É isso aí mesmo.
Um pouco de loucura.
Manutenção.
E alguns tiros a esmo.
Please! Nothing to do with reality! It´s just a poem!

 Escrito por moacircaetano às 00h37
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PASTORIL


Perto dela, é sempre, sempre verão...
suores que nos escorrem pelas costas,
o corpo se dissolvendo em respostas
que correm nossa pele e tocam o chão.

Perto dela, o que é outono hiberna.
E sobre as folhas que caem entre nós,
nos perdemos entre nossas tantas pernas
e nos tornamos tempestades e sóis.

Perto dela, enfim faz-se a primavera.
Cores e cheiros e vida se libertam.
E por entre as borboletas nos amamos...

E um pouco de inverno não tem importância...
Já que, da feia madeira da distância
fazemos a cama onde nos deitamos.


 Escrito por moacircaetano às 14h04
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INSERT


Caros amigos passageiros,
não se assustem se de repente
cairem máscaras de emergência do teto.
Não entrem em desespero
só porque o fim está perto.

Respirem com a tranquilidade possível
o ar que lhes deixamos disponível.
Não pensem em coisas tristes
como descompressão ou morte.
Pelo amor de Deus, sejam fortes.

Cartões com instruções foram deixados
na poltrona à sua frente.
Leiam cuidadosamente em caso de acidente.

Lembrem-se que os assentos são flutuantes
e que estamos aqui para lhe atender,
fazendo sempre o melhor pra você.

Então, se é pra morrer,
que seja de forma espetacular.
TAM. Levando você pro lado de lá.



 Escrito por moacircaetano às 11h51
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Orla


Pedra. Branca. Leve.
Saltita três vezes na água.
Amor que termina sem mágoa.

Duas vezes pulula esta outra.
E súbito perde o equilíbrio.
Amor morto. Cacófato e delírio.

Esta estanca, pesada e soturna.
Mergulha no mar. Sem fim.
Amor sem início, sem meio e sem mim.
A srta. Lomyne me presenteou "gregamente" (rs...) com um desses memes que circulam por aí. Esse é pra indicar quatro livros bons e um nem tanto. Como gostei das indicações dela, vou fazer a lição de casa:

A Jangada de Pedra (José Saramago) -
o talvez maior prosador da língua portuguesa (pau a pau com Machado de Assis) entrega um livro perfeito, como é de costume. Cada parágrafo tem poesia pra horas de reflexão. Um ritmo apaixonante. E a cadência típica de Saramago, com sua prosa-pensamento. Essencial.

Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel Garcia Marquez) - Não, não é o mais importante da obra de Marquez. Mas certamente é o meu preferido, não sei bem porque. Rápido, certeiro e preciso. E ainda assim pleno de poesia e magia. E, como já se sabe, o início mais revelador da literatura mundial.

Christine (Stephen King) - Sim, porque nem só de cultura elevada vive o Homem. Se posso gostar de Mozart e ainda assim ouvir rock, porque não posso gostar de Stephen King? O primeiro livro "grande" que li na vida, aos dez anos. Não parei até chegar ao fim, nem pra almoçar. Nem dormia direito. Depois li mais três vezes, aos quinze e aos vinte e dois. E continua sendo um dos meus favoritos.

Édipo Rei (Sófocles) - 'cause Greeks rocks! Yeah!!!!!!!!!

O Pequeno Príncipe (Saint-Exupèry) - O "não-tão-bom". Mas ainda assim uma bela história. Se virou clichê, é porque foi repetido e repetido e repetido. Mas vale a pena se despir da carapaça adulta e viajar pelas estrelas com o menininho de cabelos loiros. O único livro que já li em três idiomas. rssss...

Agora os condenados: Czarina, Ady, Leandro Jardim, Múcio Góes e Sandra Souza.


 
+ do mesmo: http://moacircaetanotodoprosa.blogspot.com/ 
E apareçam por lá: http://microcosmomicrocontos.blogspot.com/ 


 Escrito por moacircaetano às 10h31
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